Cristãos, e a queda de Roma

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Gibbon, Edward / 1994

seleção editada de um livro

Breve apresentação

 

O livro The christians and the fall of Rome (Os Cristãos e a queda de Roma), do iluminista Edward Gibbon, é um pequeno volume de bolso de 91 páginas. No entanto é um texto profundíssimo livro, no qual Gibbon revê algumas das explicações feitas por ele em outro livro –– o imenso Declínio e queda do Império romano).

Neste livrinho bem mais cuidadoso, ele acaba considerando o Cristianismo, afinal, como uma das várias e diferentes forças que teriam levado à própria derrubada do Império Romano, e não apenas como uma força que emergiu no final do Império e tomou conta das coisas quando o império caiu. Na verdade o livro mostra uma imagem muito ruim do cristianismo dos primeiros tempos, e Gibbon, logo no início, se mostra bastante chocado com o resultado de suas próprias descobertas e conclusões, porque não esperava encontrar o que encontrou.

O cristianismo já não tem uma imagem muito boa no outro livro, e é possível que ele tenha tentado se aprofundar no assunto neste outro livro justamente tentando corrigir isso. Gibbon era cristão declarado, e suas descobertas, ao contrário do que esperava, parecem tê-lo levado a uma decepção muito grande com a história de sua religião.

É possível que, no século XVIII, as conclusões do famosíssimo Gibbon tenham inclusive influenciado e
reforçado a formação da opinião geral de que a Idade Média (ou Era Cristã) teria sido a “Era das Trevas” — e isto já no livro maior e menos pessimista, porque o menor e mais aprofundado ficou menos conhecido na época.

Essa noção da Idade Média como "Era das Trevas" é coisa que os historiadores de hoje –– entre outras coisas pela influência do genial historiador Johan Huizinga –– tendem a relativizar, mostrando que o período realmente ruim para as “luzes da razão” foi apenas até um pouco depois da metade da Idade Média, por volta dos séculos X-XI.

Na verdade, é possível até mesmo suspeitar que o próprio fato de se ter deixado levar por essa decepção tenha acabado contaminando as conclusões de Gibbon, que apesar de ser um bom e sólido historiador, parece ter-se deixado levar em alguma medida por expectativas religiosas, isto é, por expectativas que não dizem respeito ao simples e sério estudo acadêmico e científico dos fatos e transformações históricas, que deveria procurar evitar preconceitos favoráveis ou desfavoráveis em qualquer direção. Sua expectativa de melhorar a imagem do cristianismo ao se aprofundar no assunto pode ter aumentado sua decepção, e o tamanho da decepção pode ter prejudicado a objetividade do resultado.

De qualquer modo, continua sendo um grande e importante clássico entre os livros que existem sobre o assunto.

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