Ditos & Feitos de Sexto Empírico

Seleção e organização por João R. A. Borba

 

Sobre a diferença entre o Ceticismo e outros sistemas filosóficos

 

O resultado natural de qualquer investigação é que os investigadores ou descobrem o objeto de pesquisa ou negam que ele possa ser descoberto e o confessam inapreensível ou persistem em sua pesquisa. portanto, também, observando os objetos investigados pela filosofia, é provavelmente por isso que alguns têm declarado ter descoberto a verdade, outros têm afirmado que ela não pode ser apreendida, enquanto outros ainda continuam investigando (...) os Céticos permanecem na pesquisa.

SEXTO EMPÍRICO. Outlines of pirronism. Cap. 1
Londres: Harvard University Press, 1976.
Passagem traduzida por João Borba.

De outros sistemas será melhor que outros venham a falar. Nossa tarefa no momento é delinear a doutrina Cética, colocando como primeira premissa que de nenhuma de nossas futuras colocações nós afirmamos positivamente que o fato seja exatamente como o colocamos, mas que simplesmente relatamos cada fato, à maneira de um cronista, como ele aparece a nós no momento.

SEXTO EMPÍRICO. Outlines of pirronism. Cap. 1
Londres: Harvard University Press, 1976.
Passagem traduzida por João Borba.


Sobre a definição e os princípios do Ceticismo

 

Ceticismo é uma habilidade, ou atitude mental, que opõe mutuamente aparências, ou julgamentos, ou aparências e julgamentos, por qualquer meio, com o resultado de que, obtendo a equipotência entre os objetos e razões assim opostos, somos levados primeiramente a um estado mental de suspensão do nosso julgamento, e em seguida a um estado de "ausência de perturbação" ou quietude.

SEXTO EMPÍRICO. Outlines of pirronism. Cap. 4
Londres: Harvard University Press, 1976.
Passagem traduzida por João Borba.

 

O cético dogmatiza?
     (...) ele coloca o que lhe aparece e anuncia sua própria impressão de uma maneira não-dogmática sem fazer qualquer afirmação quanto às realidades externas
.

SEXTO EMPÍRICO. Outlines of pirronism. Cap. 1
Londres: Harvard University Press, 1976.
Passagem traduzida por João Borba.

 

Sobre a aparência

 

(...) não ultrapassamos aquilo que se apresenta a nós e que induz o nosso assentimento involuntariamente; e isso que se apresenta a nós são "as aparências". E quando nos perguntamos se o objeto subjecente é assim como aparece nós admitimos o fato de que isso nos aparece, e nossa dúvida não concerne à aparência em si mesma, mas às justificações para essa aparência que estão sendo dadas, — e isso é diferente de questionar a aparência em si mesma. (...) E mesmo se nós no momento argumentamos contra as aparências, não propomos tais argumentos com a intenção de abolir aparências, mas como meio para apontar as precipitações irrefletidas dos dogmáticos.

SEXTO EMPÍRICO. Outlines of pirronism. Cap. 10
Londres: Harvard University Press, 1976.
Passagem traduzida por João Borba.

 

(...) O critério, então, para a Escola Cética, dizemos que é a aparência (...). Pois uma vez que ela repousa no sentimento e no que nos afeta involuntariamente, isso não está aberto a questionamento. Consequentemente ninguém, eu suponho, disputa se o objeto subjacente tem esta ou aquela aparência; o ponto em questão é se o objeto é realmente como apareta ser.

SEXTO EMPÍRICO. Outlines of pirronism. Cap. 11
Londres: Harvard University Press, 1976.
Passagem traduzida por João Borba.

 

Aderindo, então às aparências, vivemos de acordo com as regras da vida normal, não-dogmaticamente (...)

SEXTO EMPÍRICO. Outlines of pirronism. Cap. 11
Londres: Harvard University Press, 1976.
Passagem traduzida por João Borba.

 

Sobre a finalidade do Ceticismo

 

Afirmamos ainda que a finalidade do cético é a quoetude no que diz respeito às matérias de opinião e a moderação do sentimento com respeito às coisas inapreensíveis. Pois o cético, tendo se lançado a filosofar com as matérias de julgamento que passam pelas impressões sensíveis, e avaliando quais delas são verdadeiras e quais falsas em busca da quietude, encontrou-se envolvido em contradições entre polos de peso igual, e sendoi incapaz de decidir entre uma coisa e outra, suspendeu o julgamento, e mantendo-se com a decisão em suspenso, ocorreu-lhe o estado de quietude (...)

SEXTO EMPÍRICO. Outlines of pirronism. Cap. 12
Londres: Harvard University Press, 1976.
Passagem traduzida por João Borba.

 

 

 

 

 

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