Contracultura

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Existem filmes sobre a Contracultura e o Movimento de 68?

Um bom modo (inclusive prazeiroso) de compreender a radicalidade das propostas dessa juventude que fez a Contracultura é assistir a alguns bons filmes que documentam bem essa nova mentalidade. Algumas sugestões são:

  • o musical Hair, dirigido por Milus Forman (que mostra a face mais alegre e original da rebeldia dos jovens); 
  • Doors, de Oliver Stone (sobre uma banda de rock ligada aos ideais de 68, e que mostra a face mais depressiva do movimento); 
  • Zabrisnki Point, de Michelangelo Antonioni (em que através de uma história de amor e de luta ecológica, se confrontam posturas diferentes dos jovens na época);
  • Os sonhadores, de Bernardo Bertolucci, sobre três jovens cineastas em meio às agitações políticas do Movimento de 68;
  • Se..., de Lindsay Anderson, que mostra a reação agressiva e extremada de jovens estudantes contra a repressão em uma instituição educacional;
  • Fritz, the Cat, desenho animado dirigido por Ralph Bakshi, baseado nos quadrinhos eróticos de Robert Crumb, desenhista e "pornógrafo" underground muito ligado às ideias do Movimento de 68;
  • Maio de 68, a bela obra de arte, documentário de Jean-Luc Magneron, que participou do próprio Movimento de 68 com uma câmera na mão, registrando a rebeldia dos jovens e principalmente a repressão policial contra eles; 
  • Reich, os mistérios do organismo, documentário de Dusan Makavejev sobre uma das linhas de psicanálise mais valorizadas pelos jovens na época, voltada para a defesa da liberdade sexual;
  • os filmes do filósofo e cineasta Guy Debord;
  • os documentários do Grupo Medvedkine, formado por jovens cineastas e operários da época.
  • no Brasil, os filmes de José Agrippino de Paula, como Hitler IIIº Mundo (de 1968) — tratando do autoritarismo e da miséria no país com humor e rebeldia; e o belíssimo curta metragem Céu sobre água (1978), que num bailado de corpos nus em uma praia, exprime o ideal de integração e harmonia com a natureza.

Em especial, o processo criativo de Agrippino de Paula — o cineasta brasileiro citado acima —, baseado na coleta e montagem de cenas improvisadas com baixíssimo orçamento, e fundindo livremente o cinema com a vida e também com as mais diversas formas de arte contemporânea (happening, música, teatro, instalação e sobretudo a dança), reflete muito do modo de operar da Contracultura e do Movimento de 68 no campo das artes.

Agripino de Paula pode ser considerado um precursor do topicalismo, estilo estético desenvolvido no Brasil, especialmente na música, como versão local da Contracultura. Em sua arte, contou sempre com a parceria de Maria Esther Stockler, bailarina que buscava uma dança experimental, fundindo a cultura gestual de rituais africanos e orientais.

O cineasta chegou a ser procurado para um trabalho conjunto pelo Living Theatre — o mais conhecido grupo de teatro crítico da linha de Artaud em todo o mundo, e descendente direto da Contracultura. Mas o Brasil estava em plena ditadura militar, e o projeto foi frustrado pela prisão dos membros do Living Theatre sob acusação de tráfico de drogas, com provas falsas plantadas pela polícia. Houve comoção internacional em torno do caso e os artaudianos acabaram libertados, mas apenas para sair do Brasil.

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