Desenvolvimento histórico

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História resumida do existencialismo

O existencialismo é uma filosofia ou uma psicologia? | Existe algum método de estudo existencialista? | Como começou o existencialismo? | Quem foram os precursores do existencialismo antes de ele existir? | Quais foram os primeiros existencialistas?



História resumida do existencialismo

O existencialismo é uma filosofia ou uma psicologia?

O existencialismo começou como uma filosofia — uma teoria geral feita para ser aplicada a muitas áreas diferentes — e bem mais tarde surgiu também uma psicologia que seguia essa linha de pensamento, isto é, um estudo de tipo existencialista, mas científico (ou pelo menos classificável como uma "ciência humana") e especializado na área da Psicologia.

 

Existe algum método de estudo existencialista?

Nesse processo de formação de um existencialismo "mais científico" em diferentes áreas específicas (por exemplo na psicologia), foram se desenvolvendo teorias metodológicas, sobre como estudar as coisas de um modo mais existencialista que o tradicional e obter bons resultados. São teorias que nasceram mais ou menos ligadas ao existencialismo ou seguindo um caminho parecido, mas que não estão completamente presas a ele, de modo que às vezes os métodos criados por essas teorias podem ser utilizados de uma maneira que já não é tão existencialista assim, e algumas vezes podem aparecer até mesmo sem nenhum existencialismo. Mas de qualquer modo, se ajustam muito melhor ao que os existencialistas pensam do que a qualquer outra coisa, e é comum que eles utilizem esses métodos.

A primeira dessas teorias metodológicas que se aproximam do existencialismo é a fenomenologia. A segunda, mais especificamente voltada para a psicologia, é uma nova versão da fenomenologia, a teoria da Gestalt. Então vamos procurar entender essas três teorias — o existencialismo, o método fenomenológico original e a nova fenomenologia da Gestalt — e por que é que são tão próximas umas das outras, afinal.

O existencialismo surgiu como uma filosofia inovadora, que se contrapunha a todas as maiores tradições filosóficas da história. Desde o início da filosofia, sete séculos antes de Cristo, a imensa maioria dos filósofos sempre procurou encontrar verdades mais profundas e permanentes por detrás das aparências fugazes deste mundo, que são sempre passageiras e estão sempre mudando de forma. O mais conhecido de todos os filósofos a procurarem uma verdade assim foi Platão — um dos pensadores mais influentes da história. Os filósofos chamavam essas verdades mais profundas e permanentes de "essências" — buscavam sempre a essência mais profunda e verdadeira das coisas por detrás das aparências, que eram consideradas enganadoras.

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Como começou o existencialismo?

O existencialismo começou uma espécie de protesto filosófico contra essa tradição: declarou que o que realmente existe para nós são justamente essas "aparências", ou melhor, tudo isso que nos "aparece" na mente através das nossas sensações, dos nossos pensamentos ou dos sentimentos. Pode ser que existam sim verdades mais profundas e verdadeiras que isso. Mas como vamos saber? Quando achamos que encontramos a "verdadeira essência" de alguma coisa, o que é que nos garante que esse suposta essência não seja apenas mais uma aparência? O que nos garante que não seja somente mais uma ideia que aparece na nossa mente, e para a qual estamos apenas dando mais importância do que para o resto disso tudo que nos aparece na vida?

Partindo de questionamentos como esse, os existencialistas resolveram propor o seguinte: chega de buscar uma "essência superior" por detrás das coisas que existem na nossa vida. Vamos colocar a existência — isto é, isso tudo que nos aparece a cada momento conforme vamos levando nossas vidas — em primeiro lugar, antes de qualquer suposta essência.

A existência antes da essência! — é o que eles proclamam. Ao invés de ignorarmos tudo isso que existe, que passa e que se transforma à nossa volta ou em nós a cada momento, ao invés de ficarmos buscando alguma essência superior e mais verdadeira por trás de tudo isso, vamos tratar de prestar atenção em primeiro lugar a essas existências todas com as quais estamos envolvidos. E isso quer dizer também tratar de dar atenção em primeiro lugar a nós mesmos. Não a alguma alma ou essência profunda de nós, que mostre o que somos "na verdade" ou qualquer coisa assim. Mas sim à nossa própria existência aqui neste mundo, do modo como ela vai acontecendo, do modo como vamos nos percebendo envolvidos com todas essas outras coisas, e pessoas, que também existem, assim como nós.

Vamos tratar de prestar atenção em primeiro lugar, então, no modo como vamos existindo e vivendo momento após momento, e nos envolvendo com essas outras pessoas e coisas que também existem ao nosso redor. Essa é a proposta do existencialismo.

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Quem foram precursores do existencialismo antes de ele existir?

É possível encontrar alguma coisa que antecipa o pensamento existencialista em um filósofo cristão muito religioso do século XVII chamado Blaise Pascal. Pascal seguia uma versão muito radical do cristianismo chamada "jansenismo".

Os jansenistas davam muita atenção ao fato de sermos criaturas meramente mortais e passageiras, e por isso infinitamente diferentes de Deus (imortal, eterno, infinito). Seríamos tão inferiores a ele (infinitamente inferiores, na verdade), que as coisas do plano divino — como o próprio Deus e, por exemplo, as verdades mais profundas e essenciais, que só seriam conhecidas por ele — seriam quase absolutamente inacessíveis para nós. Segundo Pascal, desde o pecado original pelo qual Adão e Eva teriam sido expulsos do paraíso, nós teríamos perdido todo o contato com Deus e com o mundo das verdadeiras essências profundas das coisas, e desde então (e até a nossa morte) estaríamos condenados a viver e pensar somente neste mundo de aparências superficiais e passageiras, com o nosso conhecimento se desenvolvendo somente com muito esforço e sempre sem nenhuma certeza.

Isso queria dizer que não tínhamos nenhuma outra saída a não ser nos acostumarmos com a ideia de que nunca vamos dominar a verdade completa e absoluta, e de que todas as nossas ideias são apenas aparências de verdade, e não a verdade em si mesma, completa e certa, que só Deus conhece. Como resultado, Pascal acabou desistindo de qualquer pretensão de ter alcançado alguma das essências profundas das coisas. Começou a considerar todos os nossos conhecimentos como meras interpretações incertas e sempre questionáveis, e passou a dar cada vez mais atenção ao lado psicológico dos nossos conhecimentos, ao modo como nossas vidas e nossos sentimentos vão nos levando a afirmar que certas coisas são "verdadeiras" e outras "falsas", já que, no fundo, tudo o que achávamos ter "descoberto" com nossas teorias não passava nunca, afinal, de uma interpretação que cada um de nós fazia das coisas da vida, uma ligada à psicologia pessoal de cada um, e ao modo como cada um reagia diante dessa situação angustiante de não temos, realmente, acesso a Deus e às verdades.

Mas Pascal, embora tenha chegado perto do existencialismo, ainda não é completamente existencialista, e não pode ser considerado o fundador dessa filosofia.

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Quais foram os primeiros existencialistas?

Os primeiros existencialistas, que claramente e com todas as letras declararam que o melhor seria sempre considerarmos "a existência antes da essência", foram um filósofo dinamarquês, também cristão, chamado Söeren Kierkegaard, e um filósofo alemão ateu conhecido como Max Stirner.

 

 

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