Foto de Idade Média & Protocapitalismo

A Idade Média se iniciou com a queda do Império Romano.

O Império Romano foi caindo aos poucos, em algumas regiões mais depressa, em outras menos, por isso não é possível marcar com precisão absoluta o início da Idade média. A data do fim da Idade Média é mais difícil ainda de determinar, porque varia muito de região para região da Europa: a França, por exemplo, saiu da Idade Média mais depressa, a Espanha mais devagar.

Mas isso não impediu os historiadores de escolherem uma data "oficial" para marcar início dos tempos medievais e uma data oficial para o o fim desse período, , a fim de facilitar os estudos. Apesar dos desacordos quanto a essa data, a maioria dos historiadores tende a considerar a Idade Média iniciada no ano 476 — ano da queda do imperador romano Rômulo Augusto. O Império Romano, na época, estava dividido em dois, e sob o comando de dois imperadores: Rômulo Augusto imperava no Ocidente (que era o lado mais forte do império), enquanto o lado oriental do império (mais fraco) era dominado por outro imperador. Portanto, durante a Idade Média ainda existiu um imperador "oficial" (o da parte oriental do antigo Império Romano).

Mas o poder desse imperador do oriente já havia caído tanto que nem ele nem seus sucessores chegaram a exercer um papel suficientemente importante para marcar a Idade Média. Para todos os efeitos, pode-se dizer que durante a Idade Média não houve realmente um império nem tampouco alguma forma de poder central capaz de dirigir o conjunto das regiões antes dominadas por Roma.

Durante a Idade Média também não havia países. Apenas feudos (grandes fazendas dirigidas por guerreiros aristocratas), e os reis não passavam de senhores feudais como qualquer outro nobre, isto é, cuidavam de suas propriedades privadas (os feudos), e não de algum interesse público. A única diferença entre ele e outros nobres é que era uma figura simbólica representando Deus, o Papa e a Igreja, e servia como uma espécie de juiz pacificador (mas sem muito poder) em alguns conflitos entre nobres.

Entretanto havia uma forma de poder que de certa maneira dominava todos os feudos: a influência da Igreja Católica, que fazia as pessoas, na prática, seguirem em quase toda a Europa algumas leis de tradição, evitando fazer certas coisas porque não eram consideradas bem vistas aos olhos de Deus e da Igreja. Não se pode considerar a Igreja medieval como um "governo". Seus maior poder estava na capacidade e influenciar as crenças, os medos e os princípios morais de camponeses e nobres em toda a vasta região da Europa que antes tinha sido parte do Império Romano.

A Igreja tinha poder militar, o papa dirigia exércitos, mas esses exércitos dificilmente funcionavam como alguma forma de polícia, ou mesmo algum controle consistente sobre o que se passava em todas essas regiões. Nessa época, as comunicações eram muito precárias, e transitar pela Europa de um lado para outro também era difícil, quase não havia mapas, e os que havia eram péssimos, e as viagens além disso eram perigosas, porque havia muitos bandidos e povos bárbaros agressivos vindos do norte da Europ, que se espalhavam pelas florestas e pelos caminhos. Isso quer dizer que as tropas da Igreja não serviam muito para obrigar as pessoas a seguirem o que a Igreja dizia, e sim principalmente para guerras, feitas visando a conquista de mais terras para a Igreja enquanto instituição, ou então para o Papa, os Cardeais, os Arcebispos e os Bispos (isto é, os homens mais poderosos da Igreja).

O fim da Idade Média costuma ser marcado pela dada da queda final, oficial e definitiva do outro lado do Império, no ano de 1450. Mas (do mesmo modo como o ano de 476 como marca de início) essa demarcação para o fim da Idade Média é apenas um artifício para facilitar os estudos. Muita coisa já vinha mudando desde o ano 1000, com o aparecimento de comerciantes e cidades, o crescente enfraquecimento dos nobres e da Igreja, e a crescente concentração de poder nas mãos dos reis. do ano 1000 em diante, o que temos realmente é uma longa série de mudanças graduais em que o Humanismo foi tomando forma, e originando, junrto a uma porção de outros fatores, o fim da Idade Média e o início de um novo período, chamado pelos historiadores de Renascimento.

Os termos "Humanismo" e "Renascimento" procuram descrever essa mudança do ponto de vista cultural. Mas que de outros pontos de vista, esse novo período foi tomando outros nomes. Os historiadores mais ligados à economia, por exemplo, tendem a focalizar principalmente o ressurgimento das moedas e do comércio, e dos mercados nacionais protegidos pelos novos governos contra a concorrência dos importadores. Consideram esse novo período como o do início de uma economia claramente Capitalista. Por outro lado, do ponto de vista político, é o período do aparecimento dos grandes Estados nacionais sob o governo de reis poderosos, considerados monarcas por direito divino, isto é, tidos como "sagrados" e aos quais Deus teria dado esse direito de governar, que depois passaria a algum de seus herdeiros. Para os historiadores que se apoiam mais neste ponto de vista político, esse período de concentração de poder e formação de Estados nacionais com fronteiras protegidas é conhecido como o período do Estado Moderno.

Neste site a divisão adotada é diferente dessas. Terminada a Idade Média (em 1450, segundo a datação oficial), estendemos essa mesma faixa de tempo até o ano de 1651, data da publicação de O Leviatã, de Thomas Hobbes, o primeiro livro realmente influente de filosofia política a defender a teoria que ficou conhecida como contratualismo, e a combinar as influências do empirismo (de Francis Bacon) e do racionalismo (de Descartes) — combinação que mais tarde iria formar o movimento Iluminista.

Temos então uma porção de filosofias que já não são medievais, mas ainda são anteriores ao contratualismo — por exemplo as de Maquiavel, Bacon, Montaigne, La Boétie e Descartes (falecido em 1650). Neste site, consideramos todas essas filosofias como "protocapitalistas", no sentido de que começam a manifestar influências do capitalismo nascente mas ainda sem serem tão dominadas pelos efeitos dessa nova cultura econômica como as filosofias contratualistas e outras que surgiram juntamente com elas.

 




RASCUNHO:
2. feudalismo, feudos e senhores feudais
"Feudalismo" era o sistema econômico da Idade Média: a base desse sistema eram os feudos e os camponeses que trabalhavam nos feudos. "Feudos" eram grandes propriedades de terra (fazendas) onde havia várias pequenas aldeias de famílias camponesas e um senhor feudal (o dono dessas terras), que vivia em um castelo fortificado, com grandes muralhas ao redor. Os "senhores feudais", donos dos feudos, eram nobres (condes, duques, barões, reis etc.) que eram sustentados pelo trabalho dos camponeses nessas terras, e que faziam guerras a todo momento uns contra os outros.

 

3. Nobreza
A nobreza era uma das duas camadas socioeconômicas mais ricas e poderosas da Idade Média (a outra era a dos membros do clero). Os nobres viviam sustentados pelo trabalho dos camponeses em suas terras, e para conquistar mais terras e mais camponeses para trabalhar, faziam guerras contra outros nobres. Mas os próprios exércitos, na Idade Média, eram feitos de nobres que se aliavam uns com os outros contra um terceiro. Essas alianças eram provisórias, e funcionavam de acordo com um sistema de susserania e vassalagem. A guerra era considerada uma atividade superior, só para nobres, e o trabalho braçal, na terra, era considerado coisa para pessoas inferiores, para a "ralé". Um nobre jamais se dignava a pôr as mãos na terra para trabalhar, se fosse obrigado a trabalhar ao invés de guerrear (porque não considerava a guerra como um trabalho), isso seria a coisa mais vergonhosa que lhe podia acontecer. Podemos até imaginar que, fosse obrigado a isso, um nobre poderia entrar em depressão de tanta vergonha e humilhação, e começar até a pensar em suicídio (ou mais provavelmente, em assassinar quem o obrigou a isso).

4. Sistema de susserania e vassalagem
É o sistema pelo qual os nobres se organizavam para guerrear, fazendo alianças para formarem exércitos (porque os soldados eram eles próprios). Trata-se de um sistema de favores que eles ficavam devendo uns para os outros: o nobre que devia um favor ao outro tornava-se "vassalo" desse outro, e esse outro, neste caso, era o seu "susserano". Isto quer dizer que o vassalo devia certas obrigações ao susserano, porque o susserano lhe havia feito algum grande favor. Mas não eram obrigações fixas e permanentes, e a situação podia variar e até se inverter: o vassalo podia a certa altura se tornar o susserano, e o susserano podia se tornar o vassalo dele. Nas guerras, faziam acordos para as alianças da seguinte maneira: eu (Visconde de Sabugosa, para usarmos um exemplo brincalhão) quero fazer guerra contra o rei Pedrinho, das terras chamadas de Terras de Dona Benta. Então mando chamar os nobres que me devem favores, isto é, meus vassalos, para me ajudarem nessa guerra. Mas preciso de mais soldados, então peço ajuda também ao Marquês de Rabicó, que não é meu vassalo, não me deve favores. O Marquês de Rabicó aceita me ajudar se eu, em troca, juntar meus vassalos para ajudá-lo depois em uma outra guerra, contra o Barão Saci. Então, durante a guerra contra o rei Pedrinho, eu sou o general, e o Marquês de Rabicó é meu soldado, assim como os vassalos que me ajudam nessa guerra. Depois, como devo esse favor ao Marquês de Rabicó, passo a ser vassalo dele, e ele o meu susserano, e quando me chama, devo juntar meus vassalos (aqueles de quem eu é que sou o susserano) para ajudá-lo na guerra contra o Barão Saci, conforme havia prometido. Mas nessa guerra contra o Barão Saci, o Marquês de Rabicó é que será o general, e eu, Visconde de Sabugosa, serei soldado dele (só que é claro que um soldado com poder sobre muitos outros, já que há vassalos meus participando nessa guerra). Na verdade não havia essas patentes, de "general', "capitão" etc. Mas é como se fosse isso: provisoriamente, enquanto durasse a guerra contra o Barão Saci, eu seria apenas capitão dos meus vassalos, mas sendo vassalo do Marquês de Rabicó, o marquês, sendo meu susserano e na verdade o mais alto de todos os susseranos que participam dessa guerra, seria o general.

5. Clero
O clero era a mais rica e poderosa das três camadas socioeconômicas da Idade Média. O clero era a Igreja como instituição mais o conjunto dos membros da Igreja (por exemplo padres, bispos, arcebispos, cardeais e o Papa). A Igreja como instituição era poderosa, funcionando como uma grande senhora feudal, mais rica e poderosa que todos os senhores feudais particulares, e além disso, os membros dela que tinham os cargos mais altos eram poderosos pessoalmente também, senhores feudais com muitas terras. Os padres e outros membros da Igreja que estavam no nível mais baixo dessa hierarquia, e viviam em contato mais direto com o povo, já não eram nada poderosos.

6. Servos
Eram chamados de "servos" os camponeses, que prestavam serviços aos nobres e ao clero trabalhando para eles no campo. Formavam a camada socioeconômica mais baixa, a mais pobre da Idade Média, e não tinham poder, mas eram a imensa maioria da população em toda a Europa. Os servos não eram meros escravos, porque escravos não têm direitos, e os servos tinham sim vários direitos que costumavam ser respeitados por tradição, e que embora não fossem leis escritas, podemos considerar como leis de tradição, ou de costume, normas às quais as pessoas estavam acostumadas a cumprir, e que a Igreja, com a sua influência, tratava de divulgar, assustando quem não cumprisse com o perigo de acabar indo para o inferno após a morte. Os servos tinham, principalmente, o direito de sempre poderem morar e trabalhar em um pedacinho de terra do seu senhor feudal para sustentar a sua própria família com esse trabalho, embora precisasse trabalhar a maior parte do tempo no resto das terras do senhor feudal, para sustentar esse senhor feudal. Além disso, não era bem visto pela Igreja que as famílias dos camponeses fossem separadas pelo senhor feudal, os camponeses em geral tinham o direito de ficar com sua família, de modo que viviam sempre na mesma aldeia, formada de algumas poucas famílias, e trabalhando sempre nas mesmas terras. Para os senhores feudais, era como se os camponeses fizessem parte da terra, quando conquistavam novas terras, os camponeses dessas novas terras vinham junto, faziam parte do que ele havia conquistado.

7. leis de tradição
Eram normas que as pessoas estavam acostumadas a seguir, embora não fossem leis escritas.

8. camadas sócio-econômicas (classes, estamentos, castas)
Podemos dizer que, em todas as épocas e lugares, as sociedades estiveram sempre divididas em diferentes camadas socioeconômicas, de acordo com o modo como riqueza e poder se distribuem na sociedade.

Na sociedade medieval, eram 3 camadas: a do clero, que envolvia uma bem pequena quantidade de pessoas muito ricas e poderosas; a da nobreza, que era formada de um número maior de pessoas, em geral menos ricas e poderosas do que os membros do clero; e a dos servos, uma imensa massa de trabalhadores pobres sem nenhum poder.

Quando é possível passar de uma camada socioeconômica para outra (como nos dias de hoje), por exemplo enriquecendo ou empobrecendo, dizemos que essas camada socioeconômicas são "classes".
Quando é muito difícil, extremamente difícil (mas não impossível) passar de uma camada socioeconômica para outra, dizemos que essas camadas são "estamentos".
E quando é praticamente impossível acontecer de alguém passar de uma camada para outra, dizemos que essas camadas são "castas".

Na Idade Média podemos discutir se o mais correto é falar em "estamentos" ou em "castas", mas não são de modo nenhum apenas "classes" socioeconômicas. Vejamos: um membro da Igreja poderia ser expulso, excomungado, e deixar de ser do clero, mas é uma situação rara.
Um membro da nobreza podia entrar para o clero, ou podia empobrecer, mas os nobres eram considerados nobres por terem nascido em família nobre, e se dizia que eram da nobreza porque Deus quis, e que empobrecer não mudava em nada essa situação: um nobre podia se tornar vassalo de outro, ficar até dependendo do outro para sobreviver, morando no castelo dele, fazendo parte da sua "corte". Mas jamais um nobre se tornaria camponês. Os nobres se consideravam como uma "casta", e achavam inclusive que os nobres que se tornavam membros do clero continuavam fazendo parte da nobreza, porque isso estava "no sangue" deles.
Mas o nobre que entrava para a Igreja adotava um susserano permanente ao qual devia sempre e eternamente muitos favores, que era a própria Igreja como instituição, sob o comando do Papa. (Mas dizia-se que na verdade, no fundo, esse susserano permanente e absoluto era Deus).
No caso dos camponeses, também não havia quase nenhuma possibilidade de um deles se tornar nobre, e se algum deles conseguisse entrar para a Igreja, muito dificilmente passaria do cargo de padre para algum cargo mais alto. Mas podemos imaginar pelo menos uma situação (raríssima) em que um camponês teria alguma chance de entrar para nobreza: se ele fosse um filho bastardo de um nobre com alguma amante camponesa e, apesar disso, esse filho fosse aceito pelo nobre como herdeiro legítimo. Era muito comum os nobres engravidarem camponesas, aliás em geral à força, e havia muitos filhos bastardos deles entre os camponeses. Mas geralmente o nobre também tinha muitos filhos legítimos com sua esposa que também era da nobreza, e a herança da terras ía para esses filhos legítimos, os outros eram segredo, e geralmente eram até esquecidos e ignorado pelo pai nobre. Mas em alguns casos podia acontecer de um nobre sem nenhum herdeiro legítimo reconhecer esse filho bastardo, e resolver passar toda a sua herança para ele, afinal, ser nobre era algo que estava "no sangue" (embora os nobres esquececem facilmente disso quando atacavam camponesas e faziam filhos bastardos).
Em geral se costuma dizer que o que havia na Idade Média era um sistema de "estamentos", e não exatamente de "castas", mas isso depende do quanto consideramos rígidas e separadas essas camadas socioeconômicas.

9. Protestantismo
Movimento de protesto contra a Igreja Católica oficial que Martinho Lutero (que era membro do clero) iniciou na região da Alemanha, logo depois da Idade Média. Esse movimento acabou fundando uma nova igreja com esse nome: a Igreja Protestante. A Igreja oficial, nessa época, enriquecia muito vendendo indulgências (perdão para os pecados), objetos que diziam ser sagrados, e até espaços reservados no paraíso para depois da morte. Além disso, diziam que era preciso seguir o que estava na Bíblia, as a Bíblia era escrita em latim, língua que só os membros do clero conheciam, e mesmo que fosse escrita em outra língua, pouca gente realmente sabia ler. Lutero e seus seguidores (os protestantes), começaram a defender que para venerar Deus não era preciso um prédio de igreja luxuoso, com crucifixo, estátuas, vitrais, nada disso. Todo esse luxo da Igreja e essas vendas de objetos, indulgências e tudo o mais, eram considerados pelos protestantes como um sacrilégio cometido pela própria Igreja. Eles queriam purificar a religião, e torná-la mais simples e mais próxima do povo. Movimentos de protesto como esse foram começando aos poucos já desde o final da Idade Média, antes de Lutero, e foram ajudando a mudar a mentalidade dos camponeses, que começaram a se perguntar por que é que Deus, sendo bom, ía querer que todos eles continuassem sempre pobres, inclusive seus filhos, netos etc. Com Martinho Lutero, logo depois da Idade Média, os protestantes se tornaram um movimento grande e forte, e fundaram essa nova Igreja, que ajudava a justificar o modo de vida dos novos burgueses. Para a Igreja Protestante, os próprios pais de família, se fossem pessoas religiosas e respeitadas na comunidade, deviam poder fazer o ritual em casa, para seus familiares e vizinhos, e isso quer dizer também que as pessoas deviam aprender a ler e escrever, e que a Bíblia devia ser traduzida em uma língua que todos pudessem compreender. O trabalho, do ponto de vista dos protestantes, não era uma punição pelos pecados de Adão e Eva, mas uma maneira de se honrar a Deus. O trabalhador honesto e que seguisse uma vida sem pecados se mostrava merecedor do amor de Deus, e era recompensado com o enriquecimento, ou seja, com condições para uma vida melhor para os seus familiares. As esmolas passavam a não fazer sentido, pois o importante era que as pessoas conquistassem o que precisavam para sobreviver através do trabalho dedicado e honrado. Preguiça e má vontade para trabalhar, então, também tendiam a ser condenados pela Igreja Protestante.

10. burgos e burguesia
No final da Idade Média, quando os camponeses começam a abandonar os feudos e deixar de ser camponeses, eles vão levando as coisas que produziam para as beiras das estradas, para vendê-las. Tornam-se comerciantes, no começo mais ou menos como os camelôs de hoje. Depois seu comércio vai crescendo, e essas espécies de feiras de produtos nas beiras das estradas vão virando pequenas cidades de comerciantes, que eram chamadas de "burgos". Os "burgueses" são esses habitantes dessas cidades, antigos camponeses ou descendentes de camponeses, que agora não eram mais camponeses, e sim comerciantes.